Um gato treinado faz muito mais sucesso que um cão adestrado. Veja as dicas.

Obediente, mas não robô
O gato é bem conhecido como dono de sua própria vontade. Para ele não é importantíssimo nos agradar nem ser aceito em nosso grupo, diferentemente do que acontece com os cães. Isso nos faz perceber um ar de independência nos felinos que muitos admiram, mas incomoda a outros.
Os truques que abordarei aqui não vão tirar a espontaneidade do gato nem transformá-lo num robô. Ele continuará fazendo o que tem vontade, só que achará irresistível executar comandos. Em outras palavras, verá que, ao obedecer, tem a oportunidade de conseguir o que deseja.

Recompensas mais atraentes
O ponto de partida para a execução de comandos é o gato se interessar pelas recompensas. Deve valorizá-las e estar disposto a batalhar por elas. Aproveitar o apetite do felino é uma das maneiras mais eficientes de educá-lo e, ao mesmo tempo, de estimular atividades físicas e cognitivas bastante saudáveis para ele. Mas não é porque um gato aceita um petisco que vai executar comandos ou se esforçar para obter outros petiscos. É preciso que ele dê valor à alimentação, em especial à ração. Para isso acontecer, a comida não deve ficar disponível à vontade, o tempo todo. Serve-se a quantidade adequada e nada mais.  Esse procedimento deixará o gato mais interessado na recompensa, especialmente em petiscos.  E um gato mais magro só tem a ganhar. Além de ficar com muito mais apetite, tende a viver mais e a ser mais saudável, já que comer além das necessidades nutricionais faz mal. O ideal, embora trabalhoso, é manter uma ficha com anotações sobre o peso do gato e o interesse que ele demonstra por petiscos. Assim, é possível descobrir a quantidade exata de alimento que deixa o gato com peso saudável e, ao mesmo tempo, com bastante apetite. A valorização do alimento e dos petiscos aumenta aos poucos – não espere um interesse absurdo e duradouro no início. Atenção: não emagreça o gato rápido demais, mesmo que ele esteja gordo – regimes radicais precisam ser acompanhados por médico-veterinário.

Troca vantajosa
A melhor estratégia é fazer o gato se convencer de que é sempre vantajoso para ele nos obedecer, sem precisar parar para “pensar” se o que vai ganhar compensa o que vai perder. Dessa forma, a obediência vai se tornando quase um reflexo. Para chegar a esse ponto, é preciso proporcionar sempre lucro ao gato. Diferentes situações e diferentes comandos, portanto, exigem recompensas diferentes. Também não devemos dar comando se o gato estiver atento a algo interessante para ele. Por exemplo, se ele estiver empenhado em caçar um passarinho, antes de dar o comando é preciso fazer a ave abandonar o cenário.

Evitar repetições
Somente devemos dar comando se o gato estiver interessado no que temos a oferecer ou se houver certeza de que ele ficará interessado no mesmo instante em que fizermos a oferta. O melhor é deixar o gato muito interessado no petisco que temos na mão e só depois dar o comando. Podemos até segurar o petisco bem perto do focinho dele para estimular o desejo. Só aí, com o gato olhando para nós, damos o comando. Não devemos ficar falando “senta” enquanto o gato se preocupa com outras coisas. A repetição de um comando para conseguir o comportamento enfraquece a associação entre o estímulo (comando) e o comportamento.

Execução
Nosso objetivo deve ser conseguir que o gato obedeça prontamente ao  comando, com o mínimo de tempo entre o sinal e a execução, sem julgamento por parte dele sobre se deve ou não obedecer. Do ponto de vista neurológico, a execução do comando vai ficando cada vez mais parecida com reflexo.  Quando o gato está aprendendo a sentar, falamos “senta”. Se for preciso, fazemos também um gesto prontamente para facilitar a execução. No caso do “vem”, podemos mexer no pacotinho de biscoitos para estimular, pelo som, o gato a vir logo. A proximidade do barulho do saquinho de petiscos com o comando cria uma forte associação entre ambos.

Velocidade
A rapidez em dar o prêmio facilita a obtenção do resultado que nos interessa: o gato associar o prazer da recompensa com o comportamento comandado. Podemos, praticamente, colocar o petisco na boca do gato. Além disso, movimentos velozes costumam estimular o gato a executar os comandos mais rapidamente. Imprimir velocidade ao processo ajuda a obter ótimos resultados!

Revista Cães & Cia, n. 356

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